O
Cricket na Guiana

De longe
a mais conhecida arena de esportes da Guyana, o famoso campo de cricket no
distrito de Bourda está localizado na capital federal. Esse é o lar do mais
antigo clube de cricket do Caribe, o Clube de Cricket de Georgetown (C.C.G.),
fundado em 1858, 149 anos atrás.
Inicialmente, o C.C.G. não possuía
estádio próprio. Por meio de um acordo especial com o Conselho da Cidade, o
clube passou a utilizar o estádio do Conselho, o Parade Ground, para treinar e
realizar partidas. Dificuldades, no entanto, apareceram entre o Clube o e
Conselho, principalmente no tocante a quem seria responsável por manter e
preparar a arena – particularmente para os jogos intercoloniais.
Tais dificuldades fizeram com que o
C.C.G. adquirisse seu próprio campo, comprando e desenvolvendo um pedaço de
terra. A nova facilidade logo substituiu o Parade Ground como o principal local
para todas as partidas de primeira classe de cricket, começando com dois jogos
entre a, então, Guiana Britânica e Barbados em setembro de 1887, onde o time
da casa venceu com 108 corridas e seis wickets (espécie de
equipamento utilizado no jogo de cricket).
A partir de 1960 outros locais, como o
Rose Hall em Berbice, também começaram a ser usados para jogos de primeira
classe. Bourda, no entanto, permanece como o único lugar para testes de cricket,
jogado pela primeira vez em 1930.
A longa história dos jogos de
primeira classe e do teste de cricket no estádio tem se destacado pelas
numerosas e brilhantes performances de jogadores que deveriam ser considerados
heróis. Essas performances podem ser encontradas em todos os cinco principais
períodos cronológicos que tal história pode ser dividida:
Os primeiros anos, 1887-1909.
Os
primeiros jogadores a se consagrarem heróis em Bourda são raramente lembrados.
Os dois primeiros foram os guianenses Edward Wright e Hampden King que, além de
ótimos batedores, eram também excelentes penetrative pace bowlers (jogadores
responsáveis por passar a bola aos batedores). A participação deles
nos jogos era sempre decisiva, o que levou a Guiana Britânica a ganhar o
torneio regional intercolonial pela primeira vez em 1895 contra Trinidade e
Barbados, em Bourda.
O terceiro herói desse período foi o
capitão de Trinidade e excelente batedor de meio, Betle Harragin. Suas
batidas de 73 e 53 em 1901 e um cento (123) em 1907, fizeram com que seu
time derrotasse a Guiana Britânica por 75 corridas e nove wickets em
dois jogos em Bourda.
Esses anos do críquete em Bourda
foram seguidos por um período dominado, em sua maior parte, por um único
homem: Cyril Rutherford Browne.

A era Browne, 1910-1939
Browne, de Barbados por nascimento, era um batedor rápido, tendo o lançamento
de bolas baixas como uma de suas características mais fortes. Browne é
lembrado como o jogador mais rápido quando jogou contra a Inglaterra em
Fevereiro de 1930, no primeiro teste jogado em Bourda. Ele alcançou 50 nós
em apenas 34 minutos, um dos mais rápidos meio-centos de um Indiano Ocidental
no teste críquete.
A era Browne nos deu, pelo menos, dois
outros heróis em Bourda: o batedor de meia-ordem, guianense Peter Bayley, e
Chatterpaul Persaud. Numa partida contra Barbados, em 1937, Bayley (268) e
Persaud (174) dividiram um recorde de quarta parceria em wickets de 381
corridas.
O durante e o pós-II Guerra, 1939-1955
Partidas
no estádio em Bourda durante, e imediatamente após, a II Guerra Mundial se
destacam, acima de tudo, pela atrativa produtividade e estilo do batedor de
meia-ordem guianense Robert Christiani, o mais respeitado jogador de cricket do
País até sua aposentadoria em 1954. Christiani pontuou três centos em Bourda;
128 e 149 contra Barbados em 1944 e 1946 e 181, sua maior pontuação de
primeira classe, contra a Jamaica em 1947.
No começo dos anos 1950, dois outros
batedores guianenses se destacaram, os abridores Leslie Wright e Glendon Gibbs,
pontuaram três centos nos jogos intercoloniais.
A era pré- e pós-independência, 1956-1975
Esses
anos foram importantíssimos para o críquete na Guiana por causa de três
fatores principais: primeiro, o País recuperou prestígio no cricket regional
novamente – fato que não ocorria desde 1937; segundo, pela primeira vez
Berbice passou a ser uma potência do cricket nacional; e terceiro, a Guiana
Britânica começou a colaborar com o cricket das Índias Ocidentais.
Tais progressos estão intimamente
ligados com a aparição, na segunda metade dos anos 1950, de quatro jogadores
considerados heróis de Bourda: o girador, Lance
Gibbs, e os três batedores de Berbice,
Rohan Kanhai, Basil Butcher e Joe Solomon. A contribuição dada por eles
foi estendida com o advento, nos anos 1960 e começo dos 1970, de três outros
heróis: o batedor canhoto Clive Lloyd, Roy Fredericks e Alvin Kallicharran.
O batedor guianense de maior
sucesso dessa época foi Butcher, que conseguiu marcar sete centos em Bourda,
dois a mais que Solomon, Fredericks e Kanhai. Seus feitos, no entanto, foram
superados por Garfield Sobers, o mais renomado batedor em Bourda entre 1956 e
1975. Nesse período, ele pontuou sete centos,
dois em jogos intercoloniais e cinco em testes, incluindo um cento em dois
tempos (125 e 109 nós) in a teste
contra o Paquistão em 1958. Sobers possui o
recorde pelo maior número de corridas e séculos em testes de Bourda (853
corridas, 94,77 em média).
Os últimos
trinta anos, 1975-2005
Houve
vários jogadores heróicos em Bourda nesse período. Entre
eles estão os feitos de dois giradores guianenses, Clyde Butts e Roger Harper.
Em jogos intercoloniais, Butts teve a melhor performance de tempo,
7
para 40
contra
Trinidade e Tobago em 1993, enquanto Harper
obteve a melhor análise de jogo, 11 por 102 contra Barbados em 1984. Por
cinco vezes em partidas em Bourda, nos anos 1980, Butts capturou pelo menos
cinco wickets em um tempo.
Em
tempos recentes, os principais heróis de Bourda têm sido as duas estrelas
locais: Carl Hooper e Shivnarine Chanderpaul. Hooper é famoso por resultados
que contribuíram imensamente para o sucesso da Guiana. Particularmente
impressionante, foram suas façanhas no torneio regional de 2001 quando marcou
954 corridas, incluindo quarto centos e quarto de cinqüenta,
em 12 tempos em uma média de 95,40 corridas em
um tempo, pegando 11 arremessos e capturando 25 wickets de 25,42 corridas cada.
A aclamação de Chanderpaul tem sido, principalmente, por causa de sua produção como
batedor em testes
onde tem feito vários centos. Em 1998, por
exemplo, ele marcou 118 contra a Inglaterra, o primeiro teste de centos marcado
por um guianense em Bourda em 25 anos. O mais memorável tempo de Chanderpaul em Bourda, entretanto, é um
incaracteristicamente agressivo contra a Austrália no dia inicial do teste de
uma série de 2003. Ele fez apenas 69 entregas, no terceiro teste mais rápido
de centos que já se fez em termos de bolas batidas.
Em resumo, a famosa arena de cricket do estádio em Bourda teve e
continuará a ter heróis em sua história. Por sua reputação como o paraíso
dos batedores, não é surpresa que a maioria de seus heróis sejam
batedores. No entanto, o número relativamente pequeno de jogadores que
tinham como função repassar a bola para os batedores é bem mais louvável.